O herói, o marginal, o poeta tropical, quem dera eu pobre leão, fazer parte da nação... (Mallu Magalhães)
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Ainda não aprendi ser folha que cai
folha que deixa-se voar perdidamente com o vento
quero antes ser como as raízes das arvores
tão seguras em si
São incertos os caminhos das folhas
folhas que dançam a dança do tempo
folhas que nascem,caem e secam
folhas que vivem a incerteza do ar em movimento
Ainda não aprendi a ser folha que cai
e tropeça mundo a fora
não aceitei a mudança das estaçoes
e a inconstancia do tempo
Doí demais observar a fluidez de tudo
ver o todo de tudo diluir-se e dissolver-se
doi demais ser folha ao vento
domingo, 8 de maio de 2011
Suspiros quase explodem meu pulmão
desatino,desatenção
O desconforto que antecede o desespero
Desorientado me perco
Por onde andará minha razão, meu entendimento?
A perna que sacode inquieta nunca levará ao equilibrio
Desedifico-me,despedaço-me, desintegro-me parte a parte
E aceito essa condição
Se hoje não posso compor o todo
espero o amanha
para recompor os pedaços.
Imagem de Egon Shiele.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Faz frio
Fiquei sentada na grama lendo poesias
Estou dispersa e uma leve tontura embala meu caminhar
Hoje o dia não tem sentido nem gosto
Tenho vontade ficar parada para nunca mais me mover
Com um olhar que nada vê e um coração que nada sente
Hoje não tenho sede da vida e não me arriscaria por nada
Estou ferida e a dor imobiliza
Mais uma vez sinto minha vida mudando
Amanhã sei que serei outra, é necessário, preciso me recriar
A existência me ultrapassou
meu amor envelheceu e ta morrendo de velho.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Há manhãs frias que despertar castiga
e no céu transparece toda a nossa vida
Na vertigem de um dia
forja-se o dia
mais um dia, que poderia ser único
Vou cruzando as esquinas na esperança de me encontrar
Entre os caminhos cotidianos que nos levam para algum lugar
Comigo a cidade toda desperta
Seguindo seu sagrado ciclo se poe a funcionar
E as horas nos carregam a junta dela seguir seus minutos inimagináveis
Até que eu me torno tardia
Mais um dia
vou me dissolver
sem me perceber
Acordar é nascer para os dias!
sábado, 16 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Se eu pudesse ver o mundo com teus olhos
Com a transparência do teu olhar
Ver poesia naquilo que não entendo
Ver arte na dor
Ver o mundo infinito como a profundidade do teu olhar
Ver a imensidão das coisas simples e tenuas
Observar calmamente toda esta cegueira sem julgar
Ver o mundo com a tranquilidade dos dias comuns
Ver naturalidade nas confusões interiores
Observar a vida como uma melodia silenciosa
Se eu pudesse ver o mundo com teus olhos entenderia os instintos naturais das contradições
Sentiria o sabor das manhãs
Pois os olhos refletem a vida
É do teu olhar que se constrói tudo
Do teu olhar sobre o mundo.
quarta-feira, 9 de março de 2011
As vezes penso em como é ser o outro
a imensidão do outro
o vazio do outro
o ponto de vista do outro
a vidinha do outro
as loucuras do outro
as dores e o amargor
Porque apenas ser eu não basta,cansa,cai na monotonia
E podia inventar personagens
Mas não adiantaria
Desejara mesmo é ter diversar vidas, pessoas e historias entrelaçadas
De modo que no mundo ninguém fosse um
Mas sim que cada um fosse todos.
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